quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Jovens experientes?

Ah, a cidade onde moro é fabulosa. Por si própria, não apresenta nenhuma beleza, nenhum atrativo. Mas figuram nas ruas alguns personagens bem estranhos. E não me refiro a essa onda que surgiu: pessoas brancas demais, com os olhos de aparência inchada por causa da quantidade de lápis que foi passado, cabelos superlisos escorrendo pelo rosto e uma franja que, no mínimo, está ensebada. Não são esses. Falo sobre aqueles que de tão discretos, fazem algo que chama muito mais a atenção do que se fossem mais extrovertidos.

Ontem à noite, por volta das 20h, eu voltava de um sebo para casa a pé. Costumo caminhar só para me exercitar um pouco, sair do sedentarismo, mas ontem foi porque meu carro não estava disponível e só vou pegá-lo hoje na oficina. O sebo em questão não era muito longe e eu estava observando as coisas ao meu redor enquanto andava, quase parecendo sem direção certa. Ouvi risos e conversa alta , virei discretamente, olhei e vi um casalzinho descendo a rua em que eu estava. Minha opção por escrever casalzinho, assim, no diminutivo mesmo, não se deve a uma suavização nem a uma ênfase que eu quero dar pela beleza dos dois. É uma referência a idade mesmo. Talvez não tivessem mais do que 13 anos!

Andei pouco mais de um quarteirão quando um conhecido me parou e eu, relutantemente, parei para conversar. Odeio situações como essa: você e uma pessoa se vêem a cada três ou quatro anos, então a última lembrança que ela tem de você é sempre a mais medíocre. O conhecido de ontem, por exemplo, no terceiro segundo de conversa, perguntou se minha ex-esposa estava bem. O casalzinho que vinha atrás de mim passou à frente, continuando reto por mais dois quarteirões, pois eu ainda podia vê-los. Brevemente me despedi do rapaz com quem conversava e continuei o meu trajeto. Passados dois quarteirões, virei à esquerda e deparei com duas crianças - um garoto encostado a um cata-entulho e a garota ajoelhda em frente dele, com a boca aparentemente ocupada. Eram os mesmos dois que havia visto, não me restou dúvidas. Reconheci a menina pelos cabelos e o garoto pelas roupas que usava. Se bem que com as calças arriadas, eu só podia reconhecê-lo pela camiseta e pelo boné.

Não sou contra o sexo, de forma alguma. Também não sou contra aventuras sexuais na rua semideserta, próximo a um cata-entulho e ao lado de um terreno imenso abandonado! Sou absolutamente a favor e muito disso já me ocorreu. Apenas acho que aos 13 anos a inexperiência é tanta que não há prazer sexual; só o que ocorre é o prazer de ser pego fazendo algo que não deve. Claro que não os culpo. Todos sabem que o que é proibido é mais gostoso. Mas com 13 anos? O garoto poderia estar tentando invadir uma casa qualquer com seus amigos para dar um mergulho na piscina e a menina poderia estar fugindo de casa pela janela para ir àquela festa que o pessoal do 3º ano está organizando.

Também não posso negar que a garota parecia ser boa no que estava fazendo. A pouca idade parecia não ser sinônimo para inexperiência. E eu, com aquela idade, saía com o pessoal para ir jogar futebol ou taco no campinho que tinha perto da minha casa. Embora minha família nunca tenha me "impedido" de conhecer o que o sexo significava, afinal, todos tinham a mente aberta, eu por mim mesmo era meio retrógado e impenetrável. As garotas só foram chamar a minha atenção no final do colegial, quando eu já tinha de 17 para 18 anos. Antes disso, eu me limitava a dois amigos e juntos fazíamos (quase) tudo. Não há como criticar os pré-adolescentes, afinal conforme os tempos mudam, as perspectivas pelas quais a sociedade enxerga mudam também. E não há como negar que as perspectivas e opiniões influenciam mais as pessoas do que se imagina.

Acredito que quando o caslazinho que eu vi amadurecerem, vão descobrir o desejo fica melhor conforme a pessoa vai experimentando. Vão descobrir que uma chupadinha aos 13 vai ser extremamente patética comparada a uma chupeta aos 20 e um verdadeiro boquete aos 32! Enfim, confesso também que a situação dos dois foi bem interessante. Por que não dizer excitante? É, de certa forma foi. Me lembrou de quando eu era mais jovem, mais imaturo (embora sempre consciente). Me lembrou também de que faz tempinho que eu não saio por aí - pra caçar.

3 comentários:

  1. Morri de rir com a sua opinião "crítica" sobre o fato ocorrido. A parte que você compara a "chupadinha", a "chupeta" e o "boquete" é a melhor!
    =D

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  2. Ha, crianças.
    No meu tempo, não era assim.

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  3. realmente...a adolescência hoje em dia está bastante precoce!Isso certamente representará um problema!Com essa idade, minha diversão era ficar com o abajur ligado escondido embaixo das cobertas até a hora de ir para a escola...tudo para ler meus adoráveis "livros de romances de padaria"!

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