AH! Odeio novelas. São horrendas. Não quero que pensem que eu sou contra a arte - o que sou contra é a mania sempre injusta de retratarem o vilão como sem razão, punirem o infeliz no final e ainda permitir que o casal protagonista tenha um final feliz! Vi grandes novelas e admiro o trabalho dos atores, mas quase nunca entendi - e isso se acentuou com o tempo - essa pseudo-realidade incômoda que as novelas mostram.
Minha intenção não é criticar as cenas do penúltimo capítulo de A FAVORITA. Esse não é um blog para fazer críticas, se bem que acaba servindo pra qualquer coisa. Mas prefiro deixar críticas e comentários ao blog Literatura e Cinema, listado ao lado nos meus favoritos. É claro que também é um pouco idiota, uma vez que o próprio nome limita as atividades do blog deles: literatura e cinema, não teledramaturgia! Enfim, não quero fazer críticas. Quero ressaltar apenas um sentimento que veio a tona enquanto eu assistia a novela: inveja.
Sim, inveja. É isso mesmo! Assim, como todas as letras: I-N-V-E-J-A. Quando vi a personagem de Patrícia Pillar recepcionando os recém-casados Claudia Raia e o cara que eu não sei o nome, a primeira coisa que senti foi inveja. Me lembrei das vezes em que acordei mais cedo para fazer o café da manhã pra minha esposa e ela sempre gostou. Depois de um tempo, começou a reclamar: o café estava fraco, as torradas estavam muito torradas (que ironia!), o pão não estava fresco e desde-quando-eu-como-pasta-de-amendoim?. Claro que não havia motivos para comer quieta uma comida que nós dois sabíamos que estava boa, por isso ela preferia enxergar problemas onde não havia. E o fator principal, que favorecia totalmente as reclamações, era quem tinha feito o café da manhã: eu.
Devia tê-la recepcionado com um revólver. [risada diabólica] Devia ter servido melhor o café da manhã: peixe podre, banana esmagada, vômito do maldito gato que ela tratava com tanto carinho. [mais risadas] Mas os tiros mesmos eu guardaria para o dia como aquele em que eu saí e voltei quase às oito da manhã em casa e ela estava na cozinha, comendo alegremente e conversando com ele - com ele! Ah, sim... O cardápio que comia era exatamente aquele que eu sempre preparava. Ótimo momento para um café da manhã com tiros. Não neles, é claro! Não sou um assassino. Mas ia adorar quebrar o lindo clima que romance que os cercava, os envolvia, os fazia ficar tão mais próximos um do outro... Filhos da puta! [risadas mais do que diabólicas] Eu devia ser a Flora, brincando com uma bandeija numa mão e um revólver na outra. E eles estariam com medo e diriam bobagens e promessas - mesmo sabendo que poderiam morrer. Sem final feliz. Só a realidade.
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Essa influência da dramaturgia.
ResponderExcluirSe eles ensinassem a montar blogs e ouvir jack jonson, a sociedade ia ser bem mais calma.
Cara, você virou meu ídolo! Depois de expressar de maneira tão direta a sua vontade de "dar um susto" na sua ex, eu simplesmente fiquei boquiaberto. Adorei a idéia do café da manhã com tiros.
ResponderExcluirConcordo com o Rafael: a dramaturgia influencia, mas ela é influenciada pelas personagens reais, essas que andam pela rua são as inspirações para as loras, Donatelas, Narazés e Lauras da vida!
Quanto ao nosso Blog, o Literatura e Cinema, nós comentamos qualquer coisa. É claro que damos importância aos filmes e livros, mas já comentamos teatros lá também.
Sério, fiquei impressionado com o seu texto. Fui rindo e imaginando a cena conforme lia e acho que tudo isso, desde o título até o que você relatou, daria uma ótima cena numa peça de teatro. Ou mesmo na teledramaturgia, por que não?
Não sei se sinto pena ou se fico alegre pela sua visão um tanto radical daquilo que você tem vontade; matar não é bom, mas dizem que os fins justificam os meios, não é? E a sua esposa é uma bela fixação, algo como um peso-morto que você gostaria de matar. Literalmente.
Preciso falar de novo: adorei o texto.
Há um pequeno erro de ortografia: a palavra certa é "bandeja", sem o I.
ResponderExcluir^^
Mata a "bandeija" com tiros também. Aproveita!