Hoje eu acordei bem disposto. Depois do dia de ontem, eu realmente esperava acordar bem. Eram pouco mais que sete e meia; tomei um bom banho, tomei um bom café da manhã e fui me exercitar - não que eu goste de exercícios, mas já adquiri uns dez quilos nos últimos dois anos e caminhar pela manhã me distrai. Posso ver todas as figuras engraçadas que a cidade abriga; há uns quinze anos, cheguei a presenciar o curioso caso de um senhor negro que se ofendia quando chamavam ele de "palmeirense". Acho que é porque ele era um corinthiano fanático! Ele provavelmente já deve ter morrido; mas é por causa de pessoas como ele que andar pelas ruas vale a pena: é sempre reconfortante saber que há alguém mais escroto e estúpido do que você.
Divagações à parte, terminei de caminhar e voltei pra casa. Outro bom banho, troquei de roupa e fui pegar a correspondência. É incrível como todos os bancos te consideram um cliente especial e adoram mandar sugestões para adquirir cartões de crédito. Como já tenho um, que é muito eficiente - exceto nos cinemas dessa cidade - , joguei as cartas fora e vi uma que me interessou: um informativo CVC sobre lugares para viajar durante essa época do ano. Comecei a ver as opções e fazer planos. Considerei por alguns minutos, pegei uma calculadora, analisei as despesas. Por fim, fiquei em dúvida entre verão brasileiro, nas praias de Fortaleza, ou inverno americano, em Aspen. Pensei bastante. Não me decidi. Por fim, fui buscar o meu carro na oficina.
Enquanto voltava embora, parei numa sorveteria. Peguei o meu preferido: chocolate com cobertura de caramelo. Então, um surto de memórias veio de repente em minha cabeça. Me lembrei de um dos primeiros anos do meu casamento, quando havia felicidade. Lembro que minha esposa e eu viajamos para Nova York e ficamos uma semana lá, em junho. Estávamos sentados na grama, numa praça, tomando sorvete e perto da li um grupinho começou a cantar uma música que conhecíamos bem. Our Last Summer. Nosso casamento tava numa fase ótima, aquelas "férias" renderam boas recordações e nos dias seguintes aquele refrão não saía da cabeça. Elegemos então a música como nossa para aquela época - é bom enfatizar que foi a única música que tivemos. Nos dois anos seguintes, era essa música que eu cantava pra ela, dando destaque pra parte inicial, que diz "I can still recall our last summer. I can see it all..." . Por ironia do destino, nós nos separamos algum tempo depois, no verão. Foi literalmente o "nosso último verão".
Cheguei em casa, as mãos meladas, o humor variando. Mais um banho. A empregada já tinha feito o almoço. Era quase uma hora de tarde quando terminei de almoçar e fiquei atrás umas 15h pensando no sorvete, no verão, na viagem - na minha ex-esposa. E a música não me saía da cabeça! Resolvi dar um fim naquilo. Peguei o carro, dirigi até uma loja de discos (sim, discos!), revirei incansavelmente as prateleiras. Então, eu encontrei: uma capa bonita, quatro pessoas vestindo branco sob um holofote. Numa lateral superior está escrito ABBA; na outra, Super Trouper. Comprei. Levei pra casa. Pus a faixa sete pra ouvir. Me senti mal, mas me senti bem também.
Quem disse que "recordar é viver" é um idiota. Mas até que tem razão...
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O suposto palmeirense virou vereador de Rio Claro, Calixto.
ResponderExcluirE não é brincadeira. O lugar mais longe que eu fui, foi uma praia que não sei falar o nome. também não é brincadeira.
Ah, nunca fui pro exterior; pra praia, só uma vez. E quanto à musica, eu conheço e é bem bonita, mas você não acha que é um pouco de fixação demais?!
ResponderExcluirele não virou vereador ._. por pouco... cara, curti demais teu blog. vou ler sempre que eu puder :)
ResponderExcluirUm sem-graça esse Durval! A história seria bem mais legal se o tal "Palmerense" tivesse virado Vereador!
ResponderExcluirVc deveria ter ido para o Hopi hari! ou para um acampamento Bandeirante!E vc provavelmente esqueceria essa sua esposa e descobriria que a melhor coisa e pular de hadikali e ser cordÊ de guias...pense nisso! ;)
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