sábado, 28 de fevereiro de 2009

Meu, seu, nosso.

Pois bem. Li hoje um post sobre possessão, no blog Solta o Lalai - um blog que eu gosto muito, por sinal - e me deu vontadede comentar aqui algumas coisas que eu escrevia antes. Rabiscava, pra ser mais exato. Frases soltas, bobas, que perdiam o sentido quando não eram lidas por mim. De qualquer maneira, nunca foram - ou pelo menos eu acho que não - lidas por outra pessoa que não fosse eu. Nem sequer sei onde estão os vários papéis, provavelmente no lixo já. Não os guardava com carinho, porque não havia carinho nas palavras raivosas que eu rabiscava. Não posso me esquecer de que isso tudo faz parte de um passado que já não é mais presente em minha vida. Não significa que esteja enterrado, embora bem eu quisesse... Não é obsessão, não, não. É possessão mesmo. Foi meu e não pode deixar de ser. Ainda é meu! O problema é que não era SÓ meu.

Minha ex-esposa. Eu realmente gostava dela, tanto é que me casei. Se não, por que haveria de me casar? Enfim, foi bem legal no começo. Viagens, romance, jantares a luz de velas - tudo que casais normalmente fazem. Para faz jus à "nossa música", visitamos Paris, em frente a torre Eiffel, os dois sentados na grama... foi um tempo sem remorso. Foi uma época boa, sem dúvida! Então ela viu uma notícia qualquer no jornal, sobre uma bandinha de uma outra cidade. E de repente, começou a patrocinar a banda, decidiu até fotografá-los (era fotoógrafa prossional). O pior foi tirar dinheiro e mais dinheiro da empresa pra contratar mais pessoas pra auxiliar. Tudo estava indo de mal a pior: eu comecei a desconfiar dela, a empresa parecia não lucrar mais, ela tinha ficado indiferente a mim. Depois descobri o motivo de tudo isso. O rapaz que tocava na banda tinha sido namoradinho dela na adolescência, ficaram juntos por um tempo, prometeram ficar assim pra sempre e ela foi embora. Quando viu que a bandinha ainda existia - e ele infelizmente ainda tava vivo! - resolveu voltar, arrumar uma maneira nova de dizer oi, se reaproximar.

Sim, sim. A coisa aconteceu rápido. Em relação a mim, ela já tinha mudado há algum tempo. Na mesma época que ela me evitava, eu procurava outras. Só uma me satisfez e fiquei com essa por alguns meses ao mesmo tempo em que ela me traía emocionalmente com o outro. Não demorou para o emocional virar carnal e então a traição estava completa e era recíproca. O que me incomodava não era o fato de estar sendo traído, porque eu também estava traindo. O que me incomodava era dividi-la. Sim, ela! Devidi-la. Pois eu realmente a amava. Enfim, vários episódios desagradáveis aconteram e deixaram claro que ela não era só minha, mas dele também. E de repente, ela ficou toda feliz, passou a me tratar mais gentilmente e eu fiquei completamente deslocado, não entendia o que estava acontecendo: será que ela tinha voltado a gostar de mim? Não, não. Antes fosse... Eles iam fugir mesmo! Depois de um escândalo, ela saiu de casa e três horas depois voltou, chorando e pedindo desculpas. E ficamos juntos mais algum tempo, mas obvimente não deu certo. Ela voltara a ser minha, mas também era dele. Era nossa. Inaceitável! O engraçado é que nada funcionou; a banda não emplacou, nem chegaram a concluir o álbum, eu acho. Nunca mais ouvi falar do cara, embora às vezes me deparasse com uma ou outra carta dele perdida pela casa. Na separação, ela me ofereceu a casa. Não. Aquilo tudo era dela, lá tinha todas as lembranças dela também. Lembranças minhas, dela, dele. Tudo ali era "nosso" e nada era especificamente meu, com exceção do piano e da amante - e no fundo já não fazia diferença. Não tocava fazia tempo. Era hora de mudar, recomeçar. Pois bem, foi o que fiz. O problema é que o passado existe e eu me lembro: é nosso.

3 idéias aqui:

  1. Eu também te amo.
    Não posso falar sobre possessão por pessoas porque isso nunca me aconteceu. Mas entendo o seu asco por pessoas que montam banda.

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  2. A música é OUR LAST SUMMER. Conheço bem o trecho do "foi um passado sem remorso". E eu talvez nunca vá entender a praticidade de desenterrar o passado, já que isso quase nunca acrescenta algo a nossa vida.
    Eu também tenho aversão a bandinhas; normalmente são compostas por pessoas arrogantes, que tocam mal e que acham que TODOS têm que ouvi-los gritar. Grunhis, no caso de certos grupos.

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  3. Na verdade, nós somos o que vivemos, mas se pensarmos que seremos oq estamos vivendo, veremos que realmente não há praticidade nenhuma em viver o passado, pois ele não retornará e estaremos apenas perdendo o nosso agora, por causa de um passado que jah não valeu a pena!=\ mas gostei da história!

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