Pois bem, comecei a minha semana de trabalho. Não foi nada tão fácil como eu imaginava que seria e acredito que achei isso porque já fazia tempo que não ficava oito horas por dia sentado numa cadeira. Conheci a empresa de maneira efetiva - todos as salas, empregados, subordinados e superiores - e dei início a alguns empreendimentos e também mudanças em relação a algumas despesas. Não havia nada de anormal nisso tudo, se não fosse pelo fato de ter passado praticamente a semana toda divindo o escritório com a pessoa mais cabeça-dura (e burra?) de toda a empresa.
O contabilista da empresa estava de férias, então os debates ficaram entre eu e o assistente contábil. A primeira despesa que poderia sem dúvida ser eliminada é a contratação do sujeito: não entende metade das medidas burocráticas, não entende os processos de eliminação de gasto, não sabe quais setores precisam ser apliados nem quais são inúteis e podem ser agrupados a outros setores com funções melhor definidas. Depois de horas de conversa, a gente conseguiu programar uma série de projetos pra serem levados à diretoria e eu fiquei torcendo pro contabilista ser muito mais inteligente que o seu assistente - que por sinal não deve saber que sua função é inferior à do contabilista e que não cabe a ele certas decisões! Mas, enfim, a manhã parecia não terminar mais e quando deu a hora do almoço, eu praticamente fugi daquela sala e de perto daquele rapazinho inteligente. Às duas horas, eu tava lá de novo, banho tomado, perfumado, com uma combinação de roupas diferente do que eu tinha usado de manhã - sorte a minha! Descobri pra minha felicidade que eu também tenho assistente: morenaça, cabelos fartos que estavam arrumados belamente sobre os ombros, olhos castanhos tão vivos quanto o meu (pênis?) carisma por ela. Moça simpática, uns 30 anos, num tailleur creme, que combinava perfeitamente com o tom da pele. Fiquei tão encantado que quase desisti de ir pra minha sala - por mim, eu ficaria ali vendo-a digitar.
Mas eu sempre respeito o ambiente de trabalho e a ética profissional, nós nos apresentamos polidamente, eu expliquei a ela alguns métodos de trabalho básicos, nada que me faça muito rabugento. Ela sorriu simpática, numa comprovação de que compreendera - e não reprovava - aquilo que eu tinha explicado. E perguntou se eu gostaria que levasse alguma coisa pela manhã. Bem, não entendi o que ela quis dizer; talvez café?, mas acho que isso não é serviço para que ela faça - ou qualquer outra pessoa cuja função seja me auxiliar na administração. A semana foi uma repetição, praticamente a mesma coisa. Papelada, debate com o mala, telefonemas e Letícia, minha auxiliar. Torci para que o contabilista voltasse logo, mas o rapaz foi esperto: tirou férias que vencem no dia 20, amanhã. Assim, só volta a trabalhar no dia 26, depois dos feriados. Espertinho! E que venha o carnaval...
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É bom saber que pessoas burras trabalham em empresas de verdade. Me dá esperança. E o rapaz provavelmente tem um blog.
ResponderExcluirNão vejo uma mulher de verdade a uma semana. Cada um tem o que merece.