sexta-feira, 6 de março de 2009

O que aconteceu lá atrás.

O título do post remete a duas coisas: ao tempo e o segundo sentido de "atrás" vocês descobrirão ao ler. Hoje eu estava lendo ao muito bom Solta o Lalai - nome curioso, né? - , um blog bastante interessante e o post de hoje fez eu me lembrar de um amigo que conheci na infância. O nome dele era Anderson e era bem bonito até, o garoto com quem todas as meninas aos catorze anos queriam ficar. A gente morava no mesmo bairro e ele sempre foi o filhinho de papai, desde gurizinho, tinha tudo o que queria e quando queria e era sempre na casa dele que todo mundo - outros três garotos - ia brincar! Minha infância era bem pobre comparada ao que ele vivia - pobre mesmo! - porque a casa do garoto era gigante, ele ganhava todo mês presentes novos e antes que o mês terminasse já estavam bem gastos de tanto que a gente brincava. Os pais dele sempre deixavam que a gente brincasse juntos, porque sempre consideraram todos os amiguinhos do Andinho - apelido carinhoso dado por dona Rosana (mãe dele) - verdadeiros anjinhos.

O problema é que todo anjo perde a auréola e lá pelos 10 anos, mais ou menos, isso aconteceu. O Jorge - Jorginho, segundo a voz melosa de dona Rosana - apostou com o Anderson - Andinho - que beijaria a bunda dele, não a dele próprio, a do outro, caso ele, o outro, conseguisse vencer a rodada completa de um daqueles joguinhos do Atari. Todo mundo - nós quatro: eu (Carlinhos), Jorginho, Paulinho e o Andinho - se reunia no quarto do dono da casa e a gente ficava jogando videogame lá e quando o Jorge comentou o assunto da aposta, eu e o Paulo entendemos que foi brincadeira, mas não o Anderson, que acabou cobrando a aposta. E como seria mais interessante ver o circo pegando fogo, eu e o outro incentivamos que Jorge cumprisse sua promessa e, por fim, ele deu o beijo na bunda do outro - um rapidinho estalo. Parafraseando o "do pó viemos, ao pó iremos" (ou seja lá como se diz a tal frase), nós fomos anjos e voltamos a ser. E depois disso, não tocamos mais no assunto nem sugerimos mais apostas, mesmo que de brincadeira! O problema é que esse "ir e vir" para alguns de nós se tornou um ciclo e o Anderson - que de diminutivo já não tinha nada - pareceu aventurar-se em "apostas" estranhas por aí. No primeiro ano do colegial, já não era mais nós quatro, porque o Anderson começou a sentar com um garoto estranho que mudou pra nossa escola no final do ano anterior. Também, se continuasse os quatro, começariam a nos chamar de O Quarteto Fantástico, sendo que o Anderson seria a Mulher Invisível!

Tô exagerando... Não foi bem assim, mas o fato é que aos quinze a gente tinha certeza de que ele compartilhava bastante coisa com o rapazinho que sentava no fundo. Depois de umas semanas, tava difícil definir quem "sentava" e de quem era o "fundo", mas eles se davam tão bem... Nunca perguntamos nada e, às vezes, a gente ainda fazia alguma coisa juntos. Sem apostas, obviamente. As garotas ficavam louco por ele, todas queriam beijar o rapaz com corpão - ele fazia natação - , sempre bem arrumado e extremamente charmoso. Mas talvez ele tivesse um pacto com o De Lilás enunca saísse com meninas sem ele. De Lilás por causa da camiseta que combinava com o cadarço dos tênis, sempre! O amigo dele ficou só um ano e depois sumiu, ninguém sabe pra onde foi e o Anderson tentou se reaproximar, mas aí quando um já tava no seu canto: eu namorando com a garota mais linda da escola, Jorge envolvido nuns programas de recuperação e o Paulo sempre distanciado, com os seus livros... Obviamente que não aconteceu e acabou que dois anos depois nós ainda nos falávamos e Anderson nem sequer morava mais na mesma cidade que nós. Nem a gente morava, já que cada um foi pra um canto fazer faculdade. Mas coisas como essas não tem como esquecer! Aconteceu lá atrás, no tempo, e lá atrás, em alguns.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Mardi Gras II

A parte boa do carnaval é o feriado, algumas diversões pagãs que tem por aí e as festas em clubes reservados. Como minha diversão pagã não aconteceu e eu não queria gastar dinheiro num clube reservado, aproveitei o feriado. Revi minha família, que mora em Piracicaba, cidadezinha do interior. O carnaval lá é bobagem, então a gente foi pra Rio Claro, cidade vizinha, ver os desfiles lá. Fomos na segunda-feira - uma pena que não tee desfile nesse dia! - e ficamos num hotelzinho lá pra não ter que voltar pra Pira e voltar de novo pra Rio Claro na terça. Rio Claro é uma cidade bem medíocre compara a outras em que já morei, mas ainda assim é uma das minhas preferidas. Fácil até pra se localizar, por causa das ruas numeradas. E o carnaval de lá é o melhor, bem animado, divertido e vale a pena. Eu vi a Samuca na avenida, a única vez que vi um desfile tão bom foi quando eu ainda morava na cidade. Na terça-feira vi a gente viu o desfile, até a Musa do Brasileirão estava lá. A viagem valeu mesmo a pena. O João até arrumou o telefone de uma garota que conheceu lá e prometeu voltar lá qualquer final de semana. Aposto que vou junto. Minha missão mesmo é a Letícia, a secretária, e também a moça da loja de roupa. Meu carnaval mesmo tem que ser com elas!